O movimento reacionário é comparável ao movimento revolucionário, mas com uma diferença: um é o utópico do passado e o outro o utópico do futuro. Ambos desejam mudanças bruscas, mas o reacionário luta para ter de volta aquilo que acreditava ser o melhor e que está prestes a acabar
O termo reacionário foi utilizado pela primeira vez na Revolução Francesa. Muitos que não apoiavam a revolução, visando o fim da monarquia e o surgimento da República, se opuseram à ideia da revolução.
Nesse contexto, os reacionários acabaram se misturando aos conservadores, porque vários deles, hoje intitulados como conservadores, desejavam a volta da Monarquia, a exemplo do pai do conservadorismo, Edmund Burke.
É normal a confusão entre conservador, reacionário e revolucionário, e a melhor forma de identificar uma pessoa reacionária é comparando. Continue lendo para entender o que realmente significa ser um reacionário!
Reacionário X Conservador X Revolucionário
O reacionário se assemelha ao revolucionário, só que um visa voltar ao passado e o outro, mudar o futuro. Já o conservador difere dos dois, pois defende a manutenção das instituições sociais tradicionais. No conservadorismo, antes de qualquer atitude precipitada, existe a preocupação em pesar as consequências, seja em manter um antigo regime, ou embarcar em um novo.
Veja também nosso vídeo sobre conservadorismo no Brasil!
Os revolucionários buscam pelo novo, baseados em uma utopia de um futuro ideal. Ou seja, o revolucionário é aquele que questiona, que não aceita as coisas como são e rompe com o tradicional para propor o novo.
Os reacionários buscam reagir ao “novo” que ameaça aquilo que eles acreditam, por isso, é fácil confundir com um conservador, que também se nega a mudanças muito profundas, se alguém deseja destruir algo que lhe é de muita importância.
A diferença é que os conservadores sempre estarão contra a destruição das bases como: amor à família, às liberdades, às crenças, às tradições. Sua defesa será em defesa da manutenção das coisas como são. Já os reacionários desejam voltar ao que já existiu um dia. Seja o que for que não queiram abdicar, eles lutarão até o fim para impedir a mudança.
De modo geral, o reacionarismo é uma tendência política que paralisa as mudanças (alguém em constante reação).
Vejamos abaixo o que alguns autores conservadores falam sobre os reacionários.
Veja mais Conservadorismo: entenda o conceito em 4 pontos

O reacionário na visão de João Camilo de Oliveira Torres
João Camilo de Oliveira Torres foi um escritor, professor, historiador e jornalista brasileiro. Escreveu o livro “Construtores do Império” onde podemos encontrar a seguinte descrição para uma pessoa revolucionária. Na visão do autor, as ideias reacionárias se opõem ao pensamento conservador. Uma pessoa reacionária nega o tempo, e é mais radical do que o conservador, pois não buscam simplesmente “parar o tempo”, mas fazê-lo voltar.
Assim, o reacionário nega o tempo, igualmente, e de maneira mais radical do que o conservador, pois pretende que ele reflua: quer que o rio volte à fonte, que a árvore retorne à condição de semente.
O reacionário na visão de Scruton
Roger Vernon Scruton foi um filósofo e escritor inglês, autor de várias obras sobre conservadorismo, entre elas “Como ser um conservador”. Scruton tem sido apontado como o intelectual britânico conservador mais bem-sucedido desde Edmund Burke, por isso se tornou o pai do conservadorismo moderno, aborda em suas obras a diferença entre reacionários e conservadores.
A diferença entre um reacionário e um conservador é que o reacionário está fixo no passado e quer voltar a ele; um conservador deseja adaptar o que há de melhor no passado às novas circunstâncias do presente.
O reacionário na visão de João Pereira Coutinho
José João de Freitas Barbosa Pereira Coutinho é um cronista, cientista político e escritor português. É autor de várias obras, dentre elas “As ideias conservadoras Explicadas a revolucionários e reacionários”. Sendo um dos nomes do conservadorismo mais conhecido no país, responde ao ser questionado sobre a diferença entre revolucionários e conservadores:
Um reacionário é um revolucionário do avesso. É alguém que tem a mesma predisposição utópica para acreditar que no tempo existe um estado de perfeição.
O reacionário na visão de Bruno Garschagen
O cientista político e escritor brasileiro Bruno Garschagen, uma das vozes mais conhecidas do conservadorismo brasileiro na atualidadetraz a análise de que o reacionário surge através da oposição às ações revolucionárias, basicamente o revolucionário cria e alimenta o reacionário.
Toda vez que as pessoas reagem segundo a pauta e as balizas definidas pelos revolucionários, entram no debate em desvantagem. O revolucionário cria e alimenta o reacionário, que se torna seu melhor amigo e idiota útil (Entrevista ao site Gazeta do povo).
Como vimos, segundo os autores conservadores, o reacionário é aquele que reage às mudanças, aquele que vive preso a sua utopia do passado e sonha com um tempo que não volta mais.
Ficou claro o que significa ser reacionário, segundo as visões trazidas? Deixe seu comentário abaixo!
Publicado oficialmente em 30/10/2022, atualizado em 30/01/2025.
Referências:
- COUTINHO, João Pereira. As ideias conservadoras. 1.ed. São Paulo: Très Estrelas, 2014
- Diplomatique: Quem são afinal os reacionários
- Época: Diferença entre liberal, conservador e reacionário
- Gazeta do Povo:Revolucionários, reacionários e a morte da conversação
- Infoecola: Reacionarismo
- Instituto Liberal: Scruton, a ordem do conservadorismo e as falácias reacionárias e revolucionárias
- Panorama Mercantil: As análises do ensaista João Pereira Coutinho
- SCRUTON, Roger. Como ser um conservador. 10.ed. Rio de Janeiro: Record, 2015.
- TORRES, João Camilo de Oliveira, 1915-1973. Os construtores do Império [recurso eletrônico]: ideais e lutas do Partido Conservador brasileiro / João Camilo de Oliveira Torres. – Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2017. – (Coleção João Camilo de Oliveira Torres; n. 3 PDF)
6 comentários em “Você sabe identificar um reacionário?”
VOCÊS ME DESCULPEM A SINCERIDADE MAS, A DEFINIÇÃO QUE VOCÊS APRESENTAM EM RELAÇÃO A CONSERVADORISMO E REACIONARISMO É DE UMA INCONSISTÊNCIA ASSUSTADORA. VISITEI ESSE SITE A CONVITE DE UM AMIGO, O QUAL EU CONSIDERO E RESPEITO. PORÉM, O QUE VÍ AQUI ME CAUSOU PROFUNDA DECEPÇÃO E PREOCUPAÇÃO. PEÇO QUE REVEJAM OS SEUS CONCEITOS E, SOBRETUDO, PROCUREM OUVIR O CONTRADITÓRIO PARA UM MAIOR AMADURECIMENTO NO CAMPO POLÍTICO.
Muito explicativo e didático, parabéns! Vejo um labor muito bem elaborado por uma conterrânea. Me sinto muito bem quando vejo esses trabalhos elaborados pelos os meus conterrâneos. São pensamentos intelectuais impas, comentários extraído de pensamentos de grandes nomes que falam sobre o assunto; mais uma vez, PARABÉNS!!!!!!
O conservador de hoje (neoconservador) não se opõe às mudanças, ele só não quer mudanças bruscas. Então, a agenda do modernismo iria ser cumprida gradualmente, ainda que lentamente. Já o reacionário reconhece que a modernidade já avançou demais, e quer voltar a uma época em que o “modernismo” não estava tão avançado. Arrisco dizer que o reacionário é mais conservador que o “conservador” moderno. O Conservador atual é como o progressista de 70 anos atrás, que só não queria mudanças bruscas.
Reinaldo a critica e contraposição, é bem vinda, desde que acompanhada de uma boa argumentação. Quando fazemos criticas e ou contraposições sem justificativas alguma, não há valor social agregado nesse ato.
Seria muito interessante, que complementasse a sua critica, expondo o seu entendimento quanto as questões criticadas, conservadorismo e reacionarismo. Esse ato permitiria no mínimo a possibilidade uma boa discussão, talvez resultando em uma compreensão diferente por parte dos envolvidos.
Pense nisso!
Que tal apresentar argumentos que justifiquem sua opinião? Já leu Burke?
Edmund Burke é um dos principais pensadores políticos e filósofos do século XVIII, considerado por muitos como pai do conservadorismo. Para ele, a liberdade não deveria ser entendida como uma licença para fazer o que se quisesse, mas sim como a capacidade de agir dentro dos limites da lei e da tradição. Ele via a liberdade não como um direito individual desvinculado do contexto social, mas como parte de uma herança cultural e histórica que deveria ser preservada e transmitida às gerações futuras. Ou seja, a liberdade estava intrinsecamente ligada à preservação das instituições e tradições que garantiam a estabilidade social. Para Burke, a revolução francesa, por exemplo, revelou o perigo intrínseco da busca desenfreada pela liberdade que, sem consideração pela ordem social estabelecida, pode levar ao caos e à tirania. Ou seja, para Burke a importância da liberdade individual deveria ser observada dentro de um quadro mais amplo de valores e instituições que deveriam ser protegidos e preservados para garantir a ordem e a estabilidade na sociedade. O caminho seria a evolução orgânica e gradual, ao invés de mudanças radicais que possam comprometer a coesão social.
Caraca! Como é que uma ONG que se propõe a promover Educação Política publica um texto deste? Não apenas mal escrito, mas principalmente, cheio de informações erradas!
Só para exemplificar, a autora perdeu toda a credibilidade quando disse: “Muitos que não apoiavam a revolução socialista visando o fim da monarquia e o surgimento da república se opuseram à ideia da revolução”!
Em que planeta a Revolução Francesa foi socialista?
Fiquei até em dúvida se aqui vemos um exemplo de pós-verdade ou de ignorância mesmo. Aposto na primeira opção!
A derrubada definitiva do Feudalismo foi obras das Revoluções Burguesas, tais como a Revolução Inglesa, que ocorreu entre 1640 e 1688; A Revolução Francesa, que ocorreu em 1789; A Revolução Americana (1775-1783); entre outras.
Outro grave problema é o conceito de revolucionário, altamente carregado de preconceitos. O Capitalismo é o modo de produção mais revolucionário da História. As mudanças no mundo desde a criação da Máquina a Vapor, que foi fundamental para a 1° revolução industrial, fez o mundo experimentar uma constante transformação nunca vista no mundo. Quando que o mundo sofreu tamanha transformação em tão poucos séculos?
Então, não! O conceito de revolucionário aqui apresentado não se aplica a realidade e está eivado de preconceitos, fruto de uma visão ideológica que deturpa a realidade.
E nem vou falar dos problemas textuais, pois são muitos. Quer um exemplo? Que tal esse parágrafo?
“João Camilo de Oliveira Torres foi um escritor, professor, historiador e jornalista brasileiro. Escreveu o livro “construtores do Império” onde podemos encontrar a seguinte descrição para uma pessoa revolucionária (que, na visão do autor, se opõem ao pensamento conservador). Uma pessoa reacionária nega o tempo, e é mais redical do que o imobilista, pois não buscam simplemente para o tempo, mas faze-lo voltar.”
Cadê a “descrição para uma pessoa revolucionária”?
Que coisa mais deprimente!